Antes do silêncio
Londres, fevereiro e março de 2020
Era sábado, 29 de fevereiro, um dia que só existe de quatro em quatro anos. As ruas estavam cheias, como sempre.
Fui a Londres sem projeto. Fotografei a City, o canal, as pontes sobre o Tamisa, porque era isso que a cidade me dava.
Só semanas depois percebi o que tinha guardado: os últimos dias de uma normalidade que ia desaparecer.
Quase todas estas imagens são cinco exposições fundidas numa só. Queria que nada ficasse perdido na sombra.
A folha
Todas as imagens que guardei, pela ordem em que as fiz. As marcas a lápis são as que escolhi.
A leitura
As que escolhi, pela ordem em que as fiz.

1398–1402
Duas idades
A igreja ainda tem relógio. A torre de vidro atrás dela já não precisa.

1592–1596
O túnel
Debaixo da ponte, o canal duplica tudo. Esperei que o caminho ficasse vazio.

1812–1816
Bancos
Dois bancos à espera, a ponte do outro lado do rio. Na altura era só uma tarde de domingo.

1875–1879
A multidão
Tower Bridge, 1 de março. Gente encostada, ombro com ombro. Ninguém pensava nisso.

2148–2152
Os pilares
Restos de uma ponte antiga no meio do Tamisa. O tabuleiro foi-se; as colunas ficaram.

2237–2241
Guarda-chuva
Uma estátua de braço erguido, entre árvores ainda sem folhas.
Hoje vejo-as como um arquivo do que não sabíamos que íamos perder.
Ficha
- Lugar
- Londres, Reino Unido
- Datas
- 29 fev. 2020 – 1 mar. 2020
- Câmara
- Sony α7 III
- Objetiva
- FE 24–105 mm F4 G OSS



















